segunda-feira, dezembro 25, 2006
E eu, por onde ando? Três, quase quatro anos depois. Concordo e discordo quando diz que viver não deve ser só isso, segurar a barra. Concordo quando estou lúcida, ou drogada. Discordo quando drogada, ou lúcida. Tudo me dói muito. Três, quase quatro anos depois. Você tem feito um bom trabalho. Está conseguindo tirar o corpo já morto – que entrou em estado de decomposição – de cima de mim. Mas ainda fedo e ainda vejo e sinto os vermes passearem em mim e não sei se eles comem meu braço ou se comem àquele que não mais reconheço. A culpa não é sua. Eu é que não tenho mais feito tanta força, porque não sei mais se me sinto tão bem. Vai ver àqueles cigarros, àqueles comprimidos, aquele sangue. E as marcas que ficaram não foram físicas e sim na alma. Vai ver essas coisas tenham me matado um pouco e o corpo que apodreceu também me contaminou. É como colocar uma fruta já muito madura, quase podre, perto de outras verdes. O resto bom se contamina e não sobra nada além de fedor e podridão. Coloquem a culpa no etileno. Mas não é sua culpa, etileno. Foi só seu condicionamento. E para nós, bípedes insignificantes com megalomania, não é diferente. Também somos condicionados. Você sabe, né? E talvez eu tenha sido condicionada assim, a ver tudo com os olhos da tristeza. Não seria, então, melhor não ver? Três, quase quatro anos depois. Por onde andam meus pés? Que caminhos tortuosos seguem?
Desabafado por Alice Maravilha às 10:31 PM
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