Texto, no minino interessante, q encontrei qnd procurava algo....interessante.
Não eh sempre q tenho sorte e, por um instante, pensei q o texto havia me encontrado.
Análise Empírica Nº1: A vida
A noite calva de estrelas passa envergada sobre minha cabeça de homem perdido no meio do espaço, perdido nas ruas desta cidade natal que hoje parece me desabitar, perdido nas enchentes que inundam meu peito que dói, dói, dói, uma dor de não ter nomes, uma dor para Lispector romancear com suas palavras que doem, doem, doem o peito inundado de enchentes que me tornam perdido do que nem mesmo sei o que procurava, como se desde o nascimento meus milhões de passos não tivessem me levado para além útero, uma prisão que ainda pareço habitar, padeço habitar, em uma forte tendência edipiana de conviver com minha mãe por dentro, o meu centro do mundo, o meu cais, o meu lugar comum, a minha frase feita, música de Lennon em parceria com McCartney, samba de terreiro com cerveja e feijoada, Romeu e Julieta, Hitler e Bush, dentre tantos outras junções que vão moldando o mundo de forma a me fazer acreditar que já deixei o útero, que esse céu envergado não é mais a barriga dela, que essa dose seca de wisky não é a comida cuidadosamente moída e transportada pelo canal do umbigo, parte do corpo que me falta um pedaço para ligar-me de volta a realidade dos nove meses, como se esse tempo fosse o suficiente para estudar as alturas do mundo, de onde saltam pára-quedistas e suicidas, em um balé no qual os dois apresentam coreografias idênticas, uma vez que ambos permeiam uma espécie de desejo pela morte, seja de forma objetiva ou fragmentada, muito diferente do caminho inconsciente que fazemos em direção ao fim ou, como no meu caso, de volta ao útero do qual na verdade ainda me encontro, imaginando noites calvas de estrelas, escritos sem ponto e leitores em busca de um final que justifique o tempo que gastaram colando uma palavra a outra na minha-sua fútil busca por significados.
Alisson Villa