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Amanda.19.Rio de Janeiro. Felicidade uma utopia. Filosofia sim. Comédia, não. O Desejo, maior dos males. Acusar jamais.Conhecimento. Freddie Mercury. Insônia. Ler. Internet. Calça jeans. Pagode não. Viver, obrigação. Morrer, uma opção.

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quinta-feira, outubro 30, 2008

"E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): 'Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace al andar.'"

Desabafado por Alice Maravilha às 12:23 AM

1 Comentários:

No hay camiños, hay que camiñar
S. Juan de la Cruz

By Anonymous Anônimo, em novembro 25, 2009 8:40 AM  

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domingo, setembro 28, 2008


Os Acrobatas

 

Subamos!
Subamos acima
Subamos além, subamos
Acima do além, subamos!
Com a posse física dos braços
Inelutavelmente galgaremos
O grande mar de estrelas
Através de milênios de luz.


Subamos!
Como dois atletas
O rosto petrificado
No pálido sorriso do esforço
Subamos acima
Com a posse física dos braços
E os músculos desmesurados
Na calma convulsa da ascensão.


Oh, acima
Mais longe que tudo
Além, mais longe que acima do além!
Como dois acrobatas
Subamos, lentíssimos
Lá onde o infinito
De tão infinito
Nem mais nome tem
Subamos!


Tensos
Pela corda luminosa
Que pende invisível
E cujos nós são astros
Queimando nas mãos
Subamos à tona
Do grande mar de estrelas
Onde dorme a noite
Subamos!


Tu e eu, herméticos
As nádegas duras
A carótida nodosa
Na fibra do pescoço
Os pés agudos em ponta.
Como no espasmo.

 

E quando
Lá, acima
Além, mais longe que acima do além
Adiante do véu de Betelgeuse
Depois do país de Altair
Sobre o cérebro de Deus


Num último impulso
Libertados do espírito
Despojados da carne
Nós nos possuiremos.


E morreremos
Morreremos alto, imensamente
IMENSAMENTE ALTO.

 

Vinicius de Moraes

Desabafado por Alice Maravilha às 11:45 PM

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sexta-feira, setembro 26, 2008


 

"Vem, que eu quero te mostrar o papel cheio de rosas nas paredes do meu novo quarto, no último andar, de onde se pode ver pela pequena janela a torre de uma igreja. Quero te conduzir pela mão pelas escadas dos quatro andares com uma vela roxa iluminando o caminho para te mostrar as plumas roubadas no vaso de cerâmica, até abrir a janela para que entre o vento frio e sempre um pouco sujo desta cidade. Vem, para subirmos no telhado e, lá do alto, nosso olhar consiga ultrapassar a torre da igreja para encontrar os horizontes que nunca se vêem, nesta cidade onde estamos presos e livres, soltos e amarrados. Quero controlar nervoso o relógio, mil vezes por minuto, antes de ouvir o ranger dos teus sapatos amarelos sobre a madeira dos degraus e então levantar brusco para abrir a porta, construindo no rosto um ar natural e vagamente ocupado, como se tivesse sido interrompido em meio a qualquer coisa não muito importante, mas que você me sentisse um pouco distante e tivesse pressa em me chamar outra vez para perto, para baixo ou para cima, não sei, e então você ensaiasse um gesto feito um toque para chegar mais perto, apenas para chegar mais perto, um pouco mais perto de mim. então quero que você venha para deitar comigo no meu quarto novo, para ver minha paisagem além dajanela, que agora é outra, quero inaugurar meu novo estar-dentro-de-mim ao teu lado, aqui, sob este teto curvo e quebrado, entre estas paredes cobertas de guirlandas de rosas desbotadas. Vem para que eu possa acender incenso do Nepal, velas da Suécia na beira- da da janela, fechar charos de haxixe marroquino, abrir armários, mostrar fotografias, contar dos meus muitos ou poucos passados, futuros possíveis ou presentes impossíveis, dos meus muitos ou nenhuns eus. Vem para que eu possa recuperar sorrisos, pintar teu olho escuro com kol, salpicar tua cara com purpurina dourada, rezar, gritar, cantar, fazer qualquer coisa, desde que você venha, para que meu coração não permaneça esse poço frio sem lua refletida. Porque nada mais sou além de chamar você agora, porque tenho medo e estou sozinho, porque não tenho medo e não estou sozinho, porque não, porque sim, vem e me leva outra vez para aquele país distante onde as coisas eram tão reais e um pouco assustadoras dentro da sua ameaça constante, mas onde existe um verde imaginado, encantado, perdido. Vem, então, e me leva de volta para o lado de lá do oceano de onde viemos os dois.”

[Lixo e Purpurina - Caio Fernando Abreu]

Desabafado por Alice Maravilha às 8:14 PM

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quarta-feira, setembro 24, 2008


"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce.


Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.


Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada."


Caio Fernando Abreu

 

que seja doce

Desabafado por Alice Maravilha às 10:53 PM

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quinta-feira, julho 19, 2007


(...) A época exige violência, mas estamos conseguindo apenas explosões abortivas. As revoluções são abafadas na origem ou duram muito pouco. A paixão se esgota logo. Os homens desistem das idéias, comme d'habitude. Não se propõe nada que possa durar mais de 24 horas. Vivemos um milhao de vidas no espaço de um geração. Na entomologia, ou no estudo da vida no fundo do mar, ou das atividades celulares, obtemos mais. (...) As pessoas são como os piolhos, entram na sua pele e grudam. A gente se coça até sangrar, mas nunca esta totalmente despiolhado. Em todo canto aonde vou, as pessoas estão criando uma confusão. Cada um tem sua tragédia pessoal. Está no sangue agora: a infelicidade, o tédio, a aflição. o suicídio. O ambiente esta cheio de problemas, frustração, futilidade. Coce sem parar até não sobrar mais pele.(...) Cada vez choro por mais problemas, por calamidades cada vez maiores, por fracassos maiores. Quero que o mundo inteiro se arrebente, quero que todos se cocem até morrer.

Henry Miller - Trópico de Cancêr
Acho que isso dispensa qualquer comentario mediocre meu.

Desabafado por Alice Maravilha às 10:25 PM

2 Comentários:

Fala, minha viadinha querida.
Ano Novo, comentário novo. Decidi passar por aqui pra passar por aqui.
Corram pras janelas, se ainda esperam ver passarem os dragões...
Ósculos, pipokas, feliz dia do comércio,
Milly.

By Anonymous Anônimo, em janeiro 02, 2008 3:41 PM  

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Obrigada pelas visitas ao blog.
E obrigada por lembrar de mim na passagem por Porto Alegre...
Beijos!!!

By Blogger Shirley Gibbons, em agosto 29, 2008 12:19 AM  

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sexta-feira, julho 06, 2007


E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).


Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,


a de querer arrancar
alguns roçados da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.


Morte e Vida Severina
João Cabral de Melo Neto

Desabafado por Alice Maravilha às 9:08 PM

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segunda-feira, março 05, 2007


Tanto rumor de falsa glória,
Só o silêncio é musical.Só o silêncio,
A grave solidão individual,
O exílio em si mesmo,
O sonho que não está em parte alguma.
De tão lúcido, sinto-me irreal.
(Dante Milano)

Desabafado por Alice Maravilha às 6:46 PM

2 Comentários:

Olá srtª Kimynha, qt tempo, pesquisando pelo meu nick no google acabei achando seu blog,e deu uma vontade de escrever algo aqui mas não tenho muita coisa a falar não, só q algumas coisas q a gente não entende mas o negocio é tirar proveito de tudo na vida seja o q for, e creio eu q as coisas estão bem do jeito q estão...
Isso vc tem q concordar, certo !?
...fui...

By Anonymous Anônimo, em abril 05, 2007 11:36 AM  

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Oiiiiiiii... saudades...
Escreve logo, vai...
Beijos!

By Blogger Shirley Gibbons, em junho 30, 2007 7:42 PM  

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